Único condenado nos EUA por 11 de Setembro pede transferência para França
O pedido foi apresentado esta manhã ao Ministério da Justiça, com base num acordo bilateral de 1983 entre a França e os Estados Unidos que permite a transferência de condenados entre os dois países, disse o advogado Romain Ruiz.Moussaoui, agora com 58 anos, está a cumprir pena de prisão perpétua numa cadeia de segurança máxima do estado norte-americano do Colorado.Detido poucas semanas antes do 11 de Setembro de 2001, foi condenado em 2006 por cumplicidade nos ataques reivindicados pelo grupo terrorista Al-Qaida, que causaram quase 3.000 mortos.O pedido de transferência baseia-se, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), que teve acesso ao documento, em "circunstâncias excecionais relacionadas com a injustiça do julgamento, as condições atuais da detenção e a situação familiar".O advogado alegou, no pedido, que os documentos relacionados com o 11 de setembro deixaram de ser secretos em 2021, o que constitui "uma violação dos direitos de [Zacarias] Moussaoui, uma obstrução do direito à defesa" e, sobretudo, que o condenado, há muito apresentado como o alegado 20.º pirata do ar, "não tinha o objetivo de participar no 11 de setembro, mas sim numa operação subsequente".O advogado realçou ainda os "direitos familiares" e as "condições de vida desumanas" do condenado, que se encontra em regime de isolamento desde que foi detido.A mãe, que só viu Zacarias Moussaoui três vezes em 25 anos, "já não consegue viajar para o Colorado por razões económicas e de saúde", disse Ruiz à AFP."A questão é se a França aceita que um dos seus cidadãos seja tratado desta forma. Podemos fechar os olhos a uma situação tão injusta?", questionou, sublinhando que o seu cliente não está a pedir para ser libertado, mas sim para cumprir a pena em França.O Ministério da Justiça francês recusou comentar, mas uma fonte judicial ouvida pela AFP admitiu duvidar "que os Estados Unidos queiram extraditar a única pessoa condenada" pelos ataques de 11 de Setembro.O início do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor dos ataques, está marcado para 05 de junho de 2028, na baía de Guantánamo (Cuba), onde está detido há 20 anos, anunciou o sistema de justiça militar norte-americano no final de Agosto.Foto: depositphotos
O pedido foi apresentado esta manhã ao Ministério da Justiça, com base num acordo bilateral de 1983 entre a França e os Estados Unidos que permite a transferência de condenados entre os dois países, disse o advogado Romain Ruiz.
Moussaoui, agora com 58 anos, está a cumprir pena de prisão perpétua numa cadeia de segurança máxima do estado norte-americano do Colorado.
Detido poucas semanas antes do 11 de Setembro de 2001, foi condenado em 2006 por cumplicidade nos ataques reivindicados pelo grupo terrorista Al-Qaida, que causaram quase 3.000 mortos.
O pedido de transferência baseia-se, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), que teve acesso ao documento, em "circunstâncias excecionais relacionadas com a injustiça do julgamento, as condições atuais da detenção e a situação familiar".
O advogado alegou, no pedido, que os documentos relacionados com o 11 de setembro deixaram de ser secretos em 2021, o que constitui "uma violação dos direitos de [Zacarias] Moussaoui, uma obstrução do direito à defesa" e, sobretudo, que o condenado, há muito apresentado como o alegado 20.º pirata do ar, "não tinha o objetivo de participar no 11 de setembro, mas sim numa operação subsequente".
O advogado realçou ainda os "direitos familiares" e as "condições de vida desumanas" do condenado, que se encontra em regime de isolamento desde que foi detido.
A mãe, que só viu Zacarias Moussaoui três vezes em 25 anos, "já não consegue viajar para o Colorado por razões económicas e de saúde", disse Ruiz à AFP.
"A questão é se a França aceita que um dos seus cidadãos seja tratado desta forma. Podemos fechar os olhos a uma situação tão injusta?", questionou, sublinhando que o seu cliente não está a pedir para ser libertado, mas sim para cumprir a pena em França.
O Ministério da Justiça francês recusou comentar, mas uma fonte judicial ouvida pela AFP admitiu duvidar "que os Estados Unidos queiram extraditar a única pessoa condenada" pelos ataques de 11 de Setembro.
O início do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor dos ataques, está marcado para 05 de junho de 2028, na baía de Guantánamo (Cuba), onde está detido há 20 anos, anunciou o sistema de justiça militar norte-americano no final de Agosto.
Foto: depositphotos
