“Futebol e violência contra a mulher”
A relação entre mulher e futebol no Brasil, tem sido marcada pela violência desde sempre. Até bem pouco tempo, era comum ouvirmos a expressão “futebol é coisa de homem”. E por conta dessa discriminação as mulheres foram impedidas de praticarem o esporte no país, por mais de 40 anos. Era a mais pura discriminação, visto […] O conteúdo “Futebol e violência contra a mulher” aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
A relação entre mulher e futebol no Brasil, tem sido marcada pela violência desde sempre. Até bem pouco tempo, era comum ouvirmos a expressão “futebol é coisa de homem”.
E por conta dessa discriminação as mulheres foram impedidas de praticarem o esporte no país, por mais de 40 anos. Era a mais pura discriminação, visto que o Decreto-Lei nº 3.199, de 1941, afirmava, sem meias palavras, que as mulheres não poderiam praticar esportes, por conta de serem “incompatíveis com as condições de sua natureza”.
No Brasil as mulheres foram oficialmente proibidas de praticar futebol até 1979.
Essas lembranças vieram à baila por conta da pesquisa divulgada recentemente (agosto de 2026) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), na qual é identificado um aumento significativo da violência contra as mulheres em dias de jogos de futebol.
É um absurdo, mas é a pura verdade. É lamentável, mas acontece. É um crime, mas é tolerado. Num dos esportes mais populares do planeta, que emociona milhões de pessoas, mas que tem servido, em muitos casos, como palco e justificativa para toda sorte de violências contra as mulheres.
Segundo a pesquisa (realizada entre 2023 e 2025, em cinco capitais brasileiras: Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre) há um crescimento de 27,4% nos registros de ameaça e de 28,8% nas ocorrências de lesão corporal por violência doméstica nos dias em que há partidas de futebol.
Mais grave ainda, são as mulheres de 15 a 29 anos (jovens), são as maiores vítimas dessa violência: segundo o levantamento houve um aumento de 44% nos registros de ameaça e lesão corporal nos dias de partidas. Outro dado importante é que as mulheres negras, são as maiores vítimas dessa violência, visto que houve um aumento de 23,2% nos registros de lesão corporal e de 14,6% nas ocorrências de ameaça, contra elas.
Claro que não é o futebol em si que provoca a violência, mas tem funcionado como um gatilho para que a violência contra as mulheres se manifeste. Pesquisas realizadas em inúmeros outros países, também tem registrado esse fenômeno, bem como as razões que estimulam a sua prática. Consumo de álcool, frustração pela derrota do seu clube, condutas machistas e de afirmação da virilidade masculina e acreditem, mais tempo em casa.
Mas, há um ponto considerado fundamental para essa explosão de violência e que também precisa ser observado. A chamada violência pré-existente, que tem como razão principal a construção na sociedade de ideias sobre masculinidade, feminilidade, poder e quais comportamentos podem ser considerados aceitáveis para homens e mulheres, dentro e fora do campo.
E o nome disso é misoginia!
Isto porque, o futebol não transforma uma pessoa não violenta em agressora. A maior parte dos casos ocorre em relações nas quais já existem desigualdade de poder, controle, ciúme, ameaças ou outros fatores de violência.
Portanto, é fundamental que sejam adotadas providências urgentes para o combate a mais esse tipo de violência contra as mulheres, a exemplo da campanha que o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), está fazendo nos estádios de futebol, intitulada:
“Hoje ficar em casa, é mais seguro do que em casa”
São 180 mulheres convidadas em cada ação, representando o Ligue -180, que é o número do serviço nacional de atendimento a mulheres em situação de violência e responsável em receber denúncias, bem como oferecer orientações em todo o país.
Toca a zabumba que a terra é nossa!
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