Economia de Cabo Verde cresce 6,3%, mas Banco Mundial alerta que fraca ligação entre ilhas trava desenvolvimento
Segundo a mais recente Cabo Verde Economic Update 2026, divulgada esta terça-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,3% em 2025, sustentado pelo aumento das chegadas de turistas, pela expansão das exportações de serviços e pelo investimento. O relatório prevê, contudo, uma desaceleração para 4,8% em 2026, devido à normalização da recuperação do turismo e ao impacto das tensões no Médio Oriente sobre a economia mundial.O documento destaca que o turismo continua a ser o principal motor da economia, permitindo reduzir a taxa de pobreza de 53,8% para 51,2%, retirando cerca de 12 mil pessoas da pobreza. O desemprego caiu para 6,2%, embora o desemprego jovem e a subutilização da mão-de-obra permaneçam elevados. Nas contas públicas, o Banco Mundial sublinha que Cabo Verde registou, pela primeira vez desde 2007, um excedente orçamental de 1% do PIB. As receitas fiscais atingiram níveis recorde e a dívida pública continuou a descer, fixando-se em 100,7% do PIB no final de 2025. Apesar desta evolução positiva, a instituição avisa que o elevado peso do serviço da dívida continua a limitar a margem financeira do Estado. O relatório assinala igualmente o reforço da posição externa do país, com um segundo excedente consecutivo da balança corrente, reservas internacionais em níveis históricos – 975 milhões de euros – e um sistema financeiro considerado sólido e bem capitalizado. Conectividade continua a ser o principal bloqueioA segunda parte do relatório centra-se na ligação entre transportes e crescimento económico, identificando a fraca conectividade inter-ilhas como um obstáculo estrutural ao desenvolvimento do arquipélago.Segundo o Banco Mundial, a insuficiência de ligações aéreas e marítimas fiáveis impede uma maior integração dos mercados internos, dificulta a mobilidade de trabalhadores e empresas e limita o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais.A instituição observa que o turismo continua excessivamente concentrado nas ilhas do Sal e da Boa Vista, enquanto outras ilhas enfrentam dificuldades para captar investimento devido aos problemas de transporte. As limitações na circulação de mercadorias também penalizam sectores como as pescas e o agronegócio, aumentando custos e reduzindo a competitividade das empresas. Reformas para reduzir custos e atrair privadosPara inverter este cenário, o Banco Mundial recomenda uma reforma profunda do modelo de governação dos transportes.Entre as principais medidas propostas estão a implementação do novo pacote regulatório para a aviação, permitindo maior participação de operadores privados; a substituição dos actuais regimes de Obrigações de Serviço Público por contratos concorrenciais e baseados no desempenho; o reforço da regulação económica e da transparência do mercado; e a modernização das concessões marítimas e dos mecanismos de subsidiação. Na perspectiva da instituição, estas reformas poderão melhorar a fiabilidade dos transportes, reduzir a exposição financeira do Estado e criar condições para um crescimento económico mais equilibrado entre as diferentes ilhas.Apesar do cenário positivo registado em 2025, o Banco Mundial alerta ainda para riscos externos, nomeadamente uma eventual desaceleração da procura turística na Europa, o aumento dos preços internacionais da energia e dos alimentos devido ao conflito no Médio Oriente, bem como os riscos fiscais associados às empresas públicas e à elevada vulnerabilidade do país aos efeitos das alterações climáticas.
Segundo a mais recente Cabo Verde Economic Update 2026, divulgada esta terça-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,3% em 2025, sustentado pelo aumento das chegadas de turistas, pela expansão das exportações de serviços e pelo investimento. O relatório prevê, contudo, uma desaceleração para 4,8% em 2026, devido à normalização da recuperação do turismo e ao impacto das tensões no Médio Oriente sobre a economia mundial.
O documento destaca que o turismo continua a ser o principal motor da economia, permitindo reduzir a taxa de pobreza de 53,8% para 51,2%, retirando cerca de 12 mil pessoas da pobreza. O desemprego caiu para 6,2%, embora o desemprego jovem e a subutilização da mão-de-obra permaneçam elevados.
Nas contas públicas, o Banco Mundial sublinha que Cabo Verde registou, pela primeira vez desde 2007, um excedente orçamental de 1% do PIB. As receitas fiscais atingiram níveis recorde e a dívida pública continuou a descer, fixando-se em 100,7% do PIB no final de 2025. Apesar desta evolução positiva, a instituição avisa que o elevado peso do serviço da dívida continua a limitar a margem financeira do Estado.
O relatório assinala igualmente o reforço da posição externa do país, com um segundo excedente consecutivo da balança corrente, reservas internacionais em níveis históricos – 975 milhões de euros – e um sistema financeiro considerado sólido e bem capitalizado.
Conectividade continua a ser o principal bloqueio
A segunda parte do relatório centra-se na ligação entre transportes e crescimento económico, identificando a fraca conectividade inter-ilhas como um obstáculo estrutural ao desenvolvimento do arquipélago.
Segundo o Banco Mundial, a insuficiência de ligações aéreas e marítimas fiáveis impede uma maior integração dos mercados internos, dificulta a mobilidade de trabalhadores e empresas e limita o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais.
A instituição observa que o turismo continua excessivamente concentrado nas ilhas do Sal e da Boa Vista, enquanto outras ilhas enfrentam dificuldades para captar investimento devido aos problemas de transporte. As limitações na circulação de mercadorias também penalizam sectores como as pescas e o agronegócio, aumentando custos e reduzindo a competitividade das empresas.
Reformas para reduzir custos e atrair privados
Para inverter este cenário, o Banco Mundial recomenda uma reforma profunda do modelo de governação dos transportes.
Entre as principais medidas propostas estão a implementação do novo pacote regulatório para a aviação, permitindo maior participação de operadores privados; a substituição dos actuais regimes de Obrigações de Serviço Público por contratos concorrenciais e baseados no desempenho; o reforço da regulação económica e da transparência do mercado; e a modernização das concessões marítimas e dos mecanismos de subsidiação.
Na perspectiva da instituição, estas reformas poderão melhorar a fiabilidade dos transportes, reduzir a exposição financeira do Estado e criar condições para um crescimento económico mais equilibrado entre as diferentes ilhas.
Apesar do cenário positivo registado em 2025, o Banco Mundial alerta ainda para riscos externos, nomeadamente uma eventual desaceleração da procura turística na Europa, o aumento dos preços internacionais da energia e dos alimentos devido ao conflito no Médio Oriente, bem como os riscos fiscais associados às empresas públicas e à elevada vulnerabilidade do país aos efeitos das alterações climáticas.
