Talíria Petrone recebe novas ameaças de morte e estupro
Mensagem criminosa também divulgou dados pessoais de familiares da parlamentar
Por Catiane Pereira*
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) denunciou ter recebido novas ameaças de morte e estupro por meio de um e-mail. A mensagem, recebida no último dia 6 de agosto, também divulgou endereços e dados pessoais da parlamentar e de familiares, incluindo os filhos. Segundo o PSOL, esta é a terceira vez em menos de um ano que Talíria é alvo de ameaças.
O conteúdo enviado à deputada reúne ataques de caráter racista e misógino, além de ameaças direcionadas às crianças. De acordo com o partido, o autor da mensagem também descreveu cenas de violência infantil extrema e associou os filhos da parlamentar ao que chamou de seu “ódio racial”.
A ameaça também faz ataques à atuação política de Talíria, principalmente à defesa dos direitos das mulheres e da população negra.
“Imagina acordar e ler uma ameaça de alguém matar e estuprar sua filha de 6 anos? Imagina ver endereços que frequenta divulgados pelo criminoso? Já são vários inquéritos abertos e nenhuma resposta”, afirmou a deputada.
Talíria também criticou a recorrência das ameaças e relacionou os ataques à presença de mulheres nos espaços de decisão.
Caso foi encaminhado a órgãos federais
Segundo o PSOL, o e-mail foi encaminhado à Polícia Federal (PF) e à Polícia Legislativa. A denúncia também foi comunicada ao Ministério Público Federal (MPF), ao Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) e ao Tribunal Superior Eleitoral, devido ao contexto eleitoral.
O caso ocorreu após outros episódios de violência contra a deputada. Em março deste ano, Talíria acionou a Polícia Federal depois de receber novas ameaças de morte acompanhadas de ofensas racistas e misóginas.
Na ocasião, segundo o material divulgado pelo PSOL, o autor da mensagem afirmou que a “pele” da parlamentar “suja o Congresso Nacional” e a chamou de “escória racial inferior” e “selvagem”. A mensagem também apresentava o que seria um plano para assassiná-la, com referências à residência e à cidade natal da deputada.
Talíria afirmou naquele momento que as intimidações acontecem há mais de sete anos e criticou a falta de responsabilização dos autores.
“É um histórico de ameaça e impunidade. A gente tem alguns inquéritos em aberto que, infelizmente, por diversos motivos, não tem responsabilização dos criminosos. Isso é uma autorização para que os crimes continuem acontecendo”, declarou.
Ameaças também atingem os filhos
A segurança dos filhos de Talíria já havia sido mencionada em episódios anteriores. Em julho de 2024, a deputada acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil após receber um e-mail com ameaça de morte e ofensas racistas.
Segundo a CNN Brasil, a mensagem daquele período chamava Talíria de “macaca fedorenta”, ameaçava sua vida e exigia que ela renunciasse ao mandato de deputada e à candidatura à Prefeitura de Niterói. O conteúdo também trazia informações sobre a rotina da parlamentar, o endereço de seu gabinete e mencionava nominalmente os filhos.
Na ocasião, Talíria informou à CNN Brasil que havia acionado a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, uma delegacia especializada em crimes raciais da Polícia Civil e o Ministério Público.
O histórico de ameaças também se aproxima da trajetória política de Talíria. Eleita vereadora de Niterói em 2016, ela iniciou sua carreira política institucional no mesmo período em que Marielle Franco foi eleita vereadora do Rio de Janeiro. As duas eram amigas e, segundo a CNN Brasil, começaram a receber ameaças de morte na mesma época.
*Com informações de CNN Brasil
