Supremo reafirma política de cotas e garante 30% dos recursos para candidatos negros

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a constitucionalidade da regra que determina a destinação mínima de 30% dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para candidaturas de pessoas pretas e pardas. A decisão representa uma importante vitória para as políticas de ação afirmativa e para a ampliação […] O conteúdo Supremo reafirma política de cotas e garante 30% dos recursos para candidatos negros aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

Supremo reafirma política de cotas e garante 30% dos recursos para candidatos negros

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a constitucionalidade da regra que determina a destinação mínima de 30% dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para candidaturas de pessoas pretas e pardas. A decisão representa uma importante vitória para as políticas de ação afirmativa e para a ampliação da representatividade negra nos espaços de poder.

Por maioria de votos, os ministros rejeitaram as ações que questionavam dispositivos da Emenda Constitucional nº 133/2024, conhecida como “PEC da Anistia”. O entendimento predominante foi o de que a reserva de recursos é compatível com a Constituição e busca corrigir desigualdades históricas que dificultam o acesso da população negra aos cargos eletivos.

Relator das ações, o ministro Cristiano Zanin afirmou que a medida fortalece a democracia ao promover maior diversidade na representação política brasileira. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux e Gilmar Mendes.

Houve, porém, divergência sobre outro ponto da emenda. Os ministros Flávio Dino, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia defenderam que fosse derrubado o trecho que concede anistia aos partidos que deixaram de cumprir, em eleições anteriores, a destinação mínima de recursos para candidaturas negras. Essa posição acabou vencida, e a anistia prevista na emenda foi mantida.

A regra dos 30% surgiu para enfrentar uma realidade histórica: embora pessoas pretas e pardas representem a maioria da população brasileira, elas continuam sub-representadas nos parlamentos e nos cargos executivos. A destinação proporcional de recursos públicos busca reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por candidatos negros: o financiamento de campanha.

A decisão do Supremo também consolida um entendimento importante para as próximas eleições, oferecendo maior segurança jurídica aos partidos políticos e às candidaturas beneficiadas pela política afirmativa. Ao reconhecer a constitucionalidade da medida, a Corte reafirma que a igualdade formal, por si só, não é suficiente para superar desigualdades estruturais construídas ao longo da história.

Para especialistas em direito eleitoral e igualdade racial, o julgamento representa mais do que a validação de uma norma constitucional. Ele reforça o papel das ações afirmativas como instrumento de fortalecimento da democracia, ampliando as condições para que a diversidade da sociedade brasileira esteja efetivamente representada nas decisões políticas do país.

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